Infraestrutura de redes: o pilar invisível que sustenta a economia digital brasileira

Infraestrutura de redes: o pilar invisível que sustenta a economia digital brasileira

Por Alexandre Carneiro

Nos últimos anos, o Brasil tem vivido uma transformação digital acelerada. Serviços bancários, educação, saúde, comércio e comunicação passaram a depender cada vez mais de plataformas digitais. No entanto, existe um elemento fundamental que muitas vezes permanece invisível no debate público: a infraestrutura de redes que sustenta toda essa conectividade.

Sem redes de telecomunicações robustas, seguras e bem planejadas, simplesmente não existiria economia digital. Dados recentes mostram a dimensão dessa transformação. Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o Brasil possui atualmente mais de 250 milhões de acessos à internet, somando conexões móveis e fixas. Já a pesquisa TIC Domicílios 2023, realizada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), indica que 84% da população brasileira utiliza a internet, o que representa mais de 150 milhões de pessoas conectadas.

Esse crescimento da conectividade tem impactos diretos na economia. De acordo com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), o comércio eletrônico brasileiro movimentou aproximadamente R$ 185 bilhões em 2023, consolidando o país como um dos maiores mercados digitais do mundo.

Mas por trás de cada transação online, cada reunião virtual ou cada plataforma de streaming, existe uma complexa arquitetura de redes funcionando continuamente para garantir estabilidade, segurança e velocidade.

A expansão da internet no Brasil ocorreu de forma impressionante nas últimas duas décadas. Hoje, smartphones conectam milhões de brasileiros diariamente a serviços essenciais, desde aplicativos de mobilidade até plataformas financeiras e de saúde digital. No entanto, o aumento do uso também eleva a pressão sobre a infraestrutura existente.

Segundo o relatório Cisco Annual Internet Report, o tráfego global de internet cresceu mais de três vezes na última década. Esse aumento é impulsionado principalmente pelo consumo de vídeo online, serviços em nuvem e aplicações corporativas baseadas em dados.

No Brasil, o cenário é semelhante. O avanço do trabalho remoto, da digitalização de empresas e da economia de plataformas exige redes mais eficientes, resilientes e seguras. Como engenheiro de redes que teve a oportunidade de trabalhar em ambientes tecnológicos internacionais, posso afirmar que o verdadeiro desafio não é apenas conectar mais pessoas, mas garantir que essas conexões sejam estáveis, seguras e capazes de suportar a complexidade da economia digital moderna.

Um dos marcos mais importantes dessa nova fase da conectividade no Brasil é a implementação da tecnologia 5G. Desde o início da ativação comercial em 2022, o país vem expandindo rapidamente a nova geração de redes móveis. Segundo dados da Anatel, o Brasil já ultrapassou 20 milhões de acessos 5G, e a cobertura vem sendo ampliada progressivamente para dezenas de cidades.

O impacto dessa tecnologia vai muito além da velocidade de internet em smartphones. O 5G permite o desenvolvimento de aplicações que dependem de latência extremamente baixa e alta capacidade de transmissão de dados. Isso inclui desde cidades inteligentes e veículos conectados até sistemas industriais automatizados e telemedicina avançada.

Na prática, estamos diante de uma mudança estrutural na forma como a tecnologia será integrada à economia e ao cotidiano das pessoas. À medida que as redes se tornam mais centrais para a economia, cresce também a preocupação com segurança digital.

Segundo o relatório Cost of a Data Breach 2023, da IBM, o custo médio global de uma violação de dados atingiu US$ 4,45 milhões, o maior valor já registrado. No Brasil, o custo médio também aumentou significativamente nos últimos anos. Muitos desses incidentes estão relacionados a falhas na infraestrutura de rede, vulnerabilidades em sistemas ou falta de monitoramento adequado.

Por isso, a engenharia de redes moderna precisa integrar desde o início conceitos de segurança, automação e monitoramento inteligente. Tecnologias como Zero Trust, segmentação de redes e automação de operações já fazem parte das melhores práticas adotadas por empresas e organizações ao redor do mundo. Garantir redes resilientes não é apenas uma questão tecnológica. É também uma questão econômica e estratégica para qualquer país.

Apesar da crescente importância da infraestrutura digital, o Brasil enfrenta um desafio importante: a escassez de profissionais qualificados em tecnologia. Um estudo da Brasscom (Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação) projeta que o país poderá enfrentar um déficit de cerca de 530 mil profissionais de tecnologia até 2025.

Essa demanda inclui áreas como desenvolvimento de software, segurança da informação, ciência de dados e engenharia de redes. Formar profissionais capazes de projetar e operar infraestruturas digitais modernas será fundamental para que o Brasil continue competitivo em um cenário global cada vez mais digitalizado.

A digitalização da economia brasileira continuará avançando nos próximos anos. Tecnologias como inteligência artificial, computação em nuvem, internet das coisas e cidades inteligentes dependerão diretamente da qualidade das redes que sustentam essas soluções.

Por isso, discutir infraestrutura digital não deve ser apenas um tema técnico restrito a especialistas. Trata-se de uma agenda estratégica para o desenvolvimento econômico e tecnológico do país.

Redes de telecomunicações são, hoje, o equivalente moderno das grandes obras de infraestrutura do passado, como rodovias, portos e sistemas de energia. Elas são o alicerce invisível que conecta pessoas, empresas e ideias. E investir nesse alicerce é investir no futuro do Brasil.