Centro-Oeste vive transformação nos hábitos alimentares; Especialista Mariana Ávila comenta
A Região Centro-Oeste, conhecida por sua força no agronegócio e por responder por uma parcela significativa da produção de alimentos do Brasil, enfrenta um paradoxo cada vez mais debatido por especialistas em saúde pública: mesmo sendo uma das principais produtoras de alimentos do país, a região também convive com desafios relacionados à obesidade, às doenças crônicas e ao acesso equilibrado à alimentação saudável.
Nesse cenário, profissionais especializados em educação alimentar, segurança nutricional e recursos alimentares vêm ganhando protagonismo. Entre os nomes de maior destaque está Mariana Ávila, reconhecida como uma das mais renomadas especialistas brasileiras na promoção da alimentação saudável e na conscientização sobre os impactos da nutrição na qualidade de vida da população.
Dados do sistema Vigitel, do Ministério da Saúde, indicam que as capitais do Centro-Oeste apresentam índices preocupantes de excesso de peso e obesidade entre adultos. Em Brasília, Goiânia, Cuiabá e Campo Grande, os números acompanham a tendência nacional de crescimento das doenças associadas à má alimentação, incluindo hipertensão, diabetes tipo 2 e problemas cardiovasculares.
Além disso, apesar do forte desempenho econômico da região, o acesso à alimentação saudável continua sendo um desafio para parte da população. Segundo especialistas, fatores como desigualdade de renda, urbanização acelerada e mudanças nos hábitos de consumo têm contribuído para o aumento da ingestão de alimentos ultraprocessados e para a redução do consumo regular de frutas, verduras e legumes.
Para Mariana Ávila, a realidade do Centro-Oeste demonstra que a produção de alimentos, por si só, não garante saúde nutricional à população.
“O Brasil é uma potência agrícola, mas precisamos avançar na educação alimentar e no acesso à informação. Produzir alimentos é fundamental, mas ensinar as pessoas a fazer escolhas nutricionais adequadas é igualmente importante”, afirma a especialista.
Segundo Mariana, um dos maiores desafios da atualidade é combater a falsa percepção de que alimentação saudável é algo inacessível ou restrito a determinadas classes sociais.
“Muitas famílias acreditam que comer bem exige um orçamento elevado. Na prática, a educação alimentar ajuda as pessoas a aproveitarem melhor os alimentos disponíveis, planejarem refeições equilibradas e desenvolverem hábitos mais saudáveis dentro da própria realidade financeira”, explica.
A preocupação é respaldada por dados nacionais. Pesquisas do Ministério da Saúde apontam que mais da metade da população brasileira vive com excesso de peso, enquanto os índices de obesidade continuam aumentando ano após ano. Especialistas alertam que a tendência pode elevar significativamente os custos do sistema de saúde nas próximas décadas.
No Centro-Oeste, a situação ganha relevância adicional devido ao rápido crescimento urbano observado nas últimas décadas. Cidades como Brasília, Goiânia e Cuiabá vêm registrando expansão populacional contínua, acompanhada por mudanças no estilo de vida e no padrão alimentar dos moradores.
Ao mesmo tempo, cresce a busca por hábitos mais saudáveis. O mercado de alimentos funcionais, produtos naturais e opções voltadas ao bem-estar tem apresentado expansão constante na região, acompanhando uma tendência observada em todo o país. Hospitais, escolas, empresas e instituições públicas também vêm ampliando iniciativas voltadas à educação nutricional e à promoção da saúde preventiva.
Para Mariana Ávila, essa mudança de mentalidade representa uma oportunidade estratégica para o futuro da saúde pública brasileira.
“Estamos vivendo um momento de conscientização. As pessoas estão percebendo que alimentação saudável não está relacionada apenas à estética, mas à prevenção de doenças, ao bem-estar emocional e à longevidade”, destaca.
Reconhecida por sua atuação em educação alimentar, acesso nutricional e desenvolvimento de estratégias voltadas à promoção da saúde, Mariana acredita que o Centro-Oeste possui condições de se tornar referência nacional em qualidade de vida, desde que os investimentos em conscientização e educação nutricional acompanhem a força produtiva da região.
Enquanto o Centro-Oeste continua liderando a produção agrícola brasileira, especialistas como Mariana Ávila defendem que o próximo passo é garantir que essa abundância se traduza em mais saúde, informação e qualidade de vida para toda a população.
